HANSENÍASE: TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER

O que é?
Hanseníase é uma doença contagiosa causada por um microorganismo chamado bacilo de Hansen que atinge a pele e os nervos. É conhecida também como “lepra”, “mal-de-Lázaro”, “mal-da-pele”, entre outras denominações.

Classificação
A Hanseníase se apresenta em quatro formas clínicas: indeterminada, tuberculóide, dimorfa e virchowiana. Estas duas últimas formas clínicas são as contagiantes.
A diferença entre cada uma delas é relacionada ao número de lesões, grau de comprometimento dos nervos, órgãos acometidos e evolução.
Todas as formas de Hanseníase necessitam de tratamento, sendo que após iniciada a terapia, não são mais contagiantes.
 

De que maneira se adquire?
A Hanseníase não é hereditária, isto é, ninguém nasce doente. O bacilo da Hanseníase penetra no organismo pelas vias respiratórias.
Os bacilos de um doente sem tratamento passam para as pessoas sadias, através de contatos diretos e freqüentes.
 

Todos que têm contato ficam doentes?
Não. A maioria das pessoas são resistentes ao bacilo. Isto é, havendo o contato com doentes de Hanseníase, ocorre a contaminação, mas o sistema imunológico controla a infecção e a pessoa não adoece. Nos indivíduos que não têm resistência, após o contágio, a infecção se transforma em doença. 

Tempo de incubação clínica
Desde o contágio até os primeiros sinais ou sintomas da Hanseníase podem passar-se vários anos.

Sinais e sintomas
As pessoas que têm Hanseníase queixam de manchas pálidas ou avermelhadas adormecidas (com diminuição de sensibilidade da pele) na pele, dores, cãibras, formigamento e dormência nos braços, mãos e pés.
Os nervos da pele também são atingidos, por isso que os principais sinais da hanseníase são manchas ou áreas da pele com dormência.
Outros sinais que podem ser encontrados são caroços ou inchações, localizadas principalmente nos cotovelos, nas mãos, na face e nas orelhas. Pode ocorrer obstrução nasal e rarefação dos pêlos da face (sobrancelhas, cílios e barba) e do corpo.
Dependendo do tipo clínico de hanseníase, durante o tratamento, podem ocorrer algumas complicações, sendo mais freqüentes a ocorrência de nódulos avermelhados e dolorosos na pele, febre, dores articulares e alterações nos exames laboratoriais. Raramente estes casos exigem internação hospitalar, sendo relacionados a uma resposta do organismo ao tratamento.
 

Como evitar?
A prevenção da Hanseníase se faz através da descoberta de casos novos, do tratamento de todos os doentes e do exame dermato-neurológico e aplicação do BCG em todos os que convivem com o doente em sua casa.
A vacina BCG protege contra a Hanseníase, principalmente contra as formas multibacilares, ou seja, as formas transmissíveis da doença.
 

Que cuidados o doente deve tomar?
Quanto mais cedo for iniciado o tratamento da Hanseníase, mais rápida e segura será a cura. A doença pode parar de evoluir e as deformidades serão prevenidas.
Como o paciente apresenta áreas de pele com perda da sensibilidade, é importante que ele se preocupe com ferimentos e queimaduras, principalmente nas mãos e pés, prevenindo, dessa forma, deformidades.
Os olhos podem apresentar ardor, vermelhidão e lacrimejamento, necessitando de cuidados especiais.

Qual especialidade procurar?
O paciente com suspeita de Hanseníase deve procurar serviços de dermatologia ou ambulatórios de Saúde Pública (unidades sanitárias, postos de saúde) para consultar e fazer os exames que auxiliam o diagnóstico da doença.

Como é tratada?
O tratamento é ambulatorial, não necessitando de internação hospitalar, exceto em caso de complicações.
O tratamento é gratuito. Os medicamentos são fornecidos pelos diversos locais autorizados (unidades sanitárias, serviços universitários e clínicas dermatológicas).
A regularidade no tratamento é muito importante para a cura da doença.
 

Por: Isabel Cristina Palma Kuhl

Médica Especialista em Dermatologia e Hansenologia.
Médica responsável pelo Ambulatório de Hanseníase do Serviço de Dermatologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.